Angola: Eleições de 2022 — Mero Cumprimento dos Regulamentos Eleitorais ou Continuação da Influência Russo-Chinesa ? 

Angola: Eleições de 2022 —  Mero Cumprimento dos Regulamentos Eleitorais ou Continuação da Influência Russo-Chinesa  

Washington D.C —Em Angola, a violência  —perversa e cruel — constitui um instrumento de punição severa aos desvios dos padrões de conducta social ditados pelo partido governante :MPLA.

É uma cultura  promíscua e viciada  com respaldo na luta contra o colonialismo português : «tolerância zero» em relação a todas as formas de desobediências,hostilidades e traições aos princípios do partido. De lá para cá, só Deus sabe  quantas vidas humanas terão sido sacrificadas em nome da disciplina partidária.

Com a chegada ao poder dessa organização política, a táctica repressiva toma formato visível ou encoberto por ser a própria estrutura estatal a fazer o uso excessivo da força e os assassinatos extra-judiciais, principalmente contra civis indefesos. 

Os massacres do 27 de Maio de 1977 e o impacto dos eventos posteriores — servem de tristes exemplos de uma política selvática ainda hoje operante em todo território nacional.

A violência , por sinal, é também um método explosivo de contenção à toda aspiração de alternância política. Sempre que o partido reinante se sente ou finge estar ameaçado de perder o poder político na rua, o «Estado Partido» põe todas as forças especiais da polícia e o aparato militar em estado de alerta. Faz detenções arbitrárias ou degradantes de activistas dos direitos humanos e jornalistas, incluindo campanha desumana de intimidação feroz contra a oposição. 

O período eleitoral, contudo, é o mais impiedoso na exacerbação da violência política e abusos à integridade física e emocional de cidadãos inofensivos, perpetrados pela máquina repressiva governante. Vale aqui ressaltar a conivência direta ou indireta do sistema judicial penal e a impunidade que os  malfeitores desfrutam.

Mas, então como são permitidas todas essas atrocidades por mais de 47 anos?

O MPLA transformou-se de partido de libertação nacional em caixa multibanco — usando frequentemente os recursos naturais e erário público como garantia sob forma de hipoteca.

A contratação simplificada e arbitrária joga também um papel preponderante na manutenção do «status quo» por falta de prestação de contas quanto à gestão da coisa pública. Quão ameaçadoras essas contratações poderão tornar-se à democratização das nossas estruturas estatais — talvez nem mesmo o futuro nos possa dar alguma garantia.

Mas, porque muitas das quais ainda constituem grande parte das nossas dívidas, urge assim um debate público. O cidadão ordinário tem o direito de estar informado como a influência russa opera no aparelho de segurança, serviços de inteligência, forças armadas ou acordos de confidencialidade entre Angola e a China.

Em suma, nunca tivemos uma oportunidade dourada de responsabilizar os nossos criminosos de colarinho branco, quer sejam verdadeiros violadores dos direitos humanos ou promotores profissionais de corrupção. A documentação e o compartilhamento dos respectivos actos de criminalidade desses indivíduos com a comunidade internacional podem resultar na aplicação de sanções e medidas preventivas por parte de governos ocidentais, principalmente. Tudo depende do conteúdo e do destinatário da partilha.

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Angola: Elections of 2022 – Mere Compliance with Electoral Regulations or Continuation of Russian-Chinese Influence  

Washington D.C — The perverse and cruel violence in Angola is an instrument of severe punishment for deviations from social norms dictated by the ruling party: MPLA.

It is a promiscuous and addictive culture with support in the fight against Portuguese colonialism: «zero tolerance» concerning all forms of disobedience, hostilities, and betrayals to the party’s principles. God knows how many human lives have been sacrificed in party discipline.

With the coming to power of this political organization, repressive tactics take a visible or covert form because the state structure makes excessive use of force and extra-judicial killings, mainly against defenseless civilians. 

The massacres of 27 May 1977 and the impact of subsequent events – serve as sad examples of a savage policy still operating throughout the national territory.

Violence, by the way, is also an explosive method of containing every aspiration for political alternation. Whenever the ruling party feels or pretends to be threatened with losing political power on the street, the «Party State» puts all the special forces of the police and the military apparatus on alert. It makes arbitrary or degrading arrests of human rights activists and journalists, including the inhuman campaign of fierce intimidation against the opposition. 

However, the electoral period is the most ruthless in exacerbating political violence and abuses of the physical and emotional integrity of harmless citizens perpetrated by the repressive governing machine. It is worth mentioning the direct or indirect connivance of the criminal justice system and the impunity that criminals enjoy.

And then why have all these atrocities been allowed to continue for more than 47 years?

The MPLA has evolved from a national liberation party into an ATM, often using natural resources and public money as collateral.

Simplified and arbitrary hiring also plays a leading role in maintaining the «status quo» due to a lack of accountability for the management of public affairs. How threatening these contracts may become to the democratization of our state structures, perhaps not even the future can give us any guarantees.

However, since many of these contracts still constitute a significant portion of our debt, a public debate is necessary. Angola’s ordinary citizens are entitled to know how Russian influence operates on the security apparatus, intelligence services, armed forces, or confidentiality agreements between China and Angola. 

We have never had the opportunity to hold our white-collar criminals accountable, whether they are human rights violators or professional corruption promoters. Documentation and sharing of these individuals’ respective crimes with the international community may mainly result in sanctions and preventive measures being applied by Western governments. The result will depend on the share’s content and the recipient.

Serafim de Oliveira

Washington D.C 

Prof.kiluangenyc@yahoo.com

Author: angolatransparency

-Impulsionar os cidadãos angolanos a questionarem como o erário público é gerido e terem a capacidade de responsabilizar os seus maus gestores de acordo com os princípios estabelecidos na Constituição da República --Boost the Angolan citizens to question how the public money is managed and have the ability to blame their bad managers in accordance with the principles laid down in the Constitution of the Republic-------------- Prof. N'gola Kiluange (Serafim de Oliveira)

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